Tempos sombrios esse que estamos vivenciando. Ciência sendo deixada de lado em prol de teorias da conspiração, fake news e fatos alternativos...
O negacionismo histórico e científico tomou força em pleno século XXI. Estamos mandando drones a Marte, a ciência evoluiu a tal ponto que o sequenciamento genético, aliado ao atual estágio da informática, permitiu o desenvolvimento de várias vacinas em tempo recorde. Mas estou me sentindo como nos tempos de Galileu Galilei, época da “Santa Inquisição”. Quase 500 anos depois voltamos a discutir terraplanismo… A humanidade vem alternando sua história entre momentos de Luz e Trevas. Infelizmente parece que adentramos um período de escuridão.
Não à toa, Estados Unidos da América e Brasil estão na liderança do número de mortes por Covid19. Com previsão de que o Brasil chegará ao final da pandemia na liderança absoluta de óbitos.
Os EUA tiveram muita sorte em não reeleger o negacionista Donald Trump, ainda há tempo de implementar um sólido programa de vacinação. No Brasil, só após muita pressão a vacina começou a chegar. Preferiram acreditar em tratamentos à base de medicamentos sem comprovação científica, pelo menos até o momento. A Organização Mundial de Saúde – OMS e a comunidade científica internacional viram questionadas suas diretrizes sobre a Pandemia. Completamente sem noção supor que há um complô, perpetrado por quem existe para proteger a saúde mundial, visando prejudicar a humanidade.
Recentemente um jornalista, pelo qual já tive grande apreço, divulgou em uma das suas mídias digitais um vídeo no qual afirmava que um estudo científico havia comprovado a eficácia da cloroquina no tratamento do Covid19.
Primeiro temos que verificar em qual jornal/revista científica foi publicado tal estudo. Qual o fator de impacto (índice de credibilidade) desse periódico. Tem periódicos que é só pagar uma taxa que publicam. Os de alto fator de impacto possuem conselhos editoriais que costumam levar meses analisando os artigos submetidos antes de aceitar publicar. Exemplo: New England Journal of Medicine (1° em fator de impacto no mundo). Além de só publicarem artigos revisados por pares (outros cientistas não envolvidos no projeto de pesquisa que fundamentou o artigo).
O tal artigo citado pelo referido jornalista sobre a suposta eficácia da Cloroquina foi publicado num Jornal com fator de impacto classificado quase na milésima posição mundial. Além do que, não atestava a eficácia da Cloroquina, era apenas uma compilação dos estudos em andamento sobre vários medicamentos. Para piorar, no fim do vídeo ele fala da Ivermectina, que sequer é citada no artigo. A pessoa se vale da credibilidade e capacidade de influenciar o público, aliada a quase certeza de que poucos procurarão a fonte citada para averiguar, a qual está em língua inglesa para ajudar… A que ponto chegamos!
A segurança da Urna Eletrônica vem sendo questionada pelos radicais de direita. A mesma que já elegeu Fernando Henrique Cardoso, um moderado, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos de esquerda, e Jair Messias Bolsonaro, de direita. Vamos ser razoáveis! Não existe segredo quando mais de uma pessoa tem conhecimento de algo! Se houvesse fraudes nas urnas eletrônicas, isso já teria vazado há muito tempo. A meu ver, o sistema é bem seguro: As urnas não são conectadas na internet, no início da votação é impressa a “zerésima” e, ao final, o resultado da votação. Em seguida, o Presidente de cada sessão eleitoral afixa na porta da sessão o resultado, que pode ser fotografado por quem quiser, e entrega quantas vias forem solicitadas a cada fiscal de partido. Ora, se fosse o caso de haver fraudes, seria após esse momento. Mas é só entrar no site do TSE e conferir se o resultado distribuído pelo Presidente da Sessão Eleitoral confere com o exibido no site. Simples assim! Em mais de vinte anos de uso, nunca foi comprovada qualquer tipo de fraude no sistema. Estão querendo criar factoídes para tumultuar o processo eleitoral.
Tenho o direito de não usar máscaras e não manter o distanciamento social? Não! Por um simples motivo: Não existe livre arbítrio total em questão de saúde pública! O interesse público está muito acima do privado, isso do momento em que assinamos o Contrato Social e, querendo ou não, todos assinamos ao nascer… Se quiser fazer o distrato social, vá para uma região remota, longe de qualquer vestígio da civilização e fique lá! Abra mão de todos os benefícios e vantagens da vida em comunidade. Do momento em que você usa o Sistema Único de Saúde, você aceita que é parte de um todo interdependente. Mesmo que tenhas plano de saúde, ao tomar a vacina, você usou o SUS! Minha responsabilidade ou irresponsabilidade pode ofertar ou tirar a vaga de outrem no sistema.
A polarização ideológica está levando o Brasil para o buraco! Eleitores estão igual aquele burro de charrete com o tapa olho que os impede de olhar para os lados. Um lado não houve o outro, e vice-versa. Estão cegamente entrincheirados em suas posições. Se os candidatos A e B, que aparecem nos primeiros lugares das pesquisas de intenção de voto, forem o melhor que temos para colocar na Presidência da República, estamos ferrados! Eu me recuso a admitir que o melhor do Brasil seja isso!!! Deve ter alguém entre 213 milhões de habitantes capaz de conduzir nossa nação com dignidade e eficiência!!! Não sei quem, mas alguma coisa melhor deve ter! Por uma terceira via pelo bem do Brasil e dos Brasileiros!
Vamos a todo custo e nunca a qualquer custo !!!
Carlos Magno Monteiro Freitas
Publicado originalmente no Jornal O Malhete nº 147 - Julho/2021.
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